Monday, December 05, 2005



radioharekrishna.com

Extraído de encontros com S.S. Hridayananda das Goswami Acharyadeva em maio 2002 e janeiro 2003


INTRODUÇÃO

Uma definição bastante ampla do termo védico é tudo aquilo que é baseado em conhecimento. Afinal, a palavra veda significa conhecimento em sânscrito. Assim, védico seria aquilo que é fruto de um conhecimento mais completo, mais elevado. Uma definição mais precisa é que védico é aquilo que nos leva a conhecer Krishna, que nos aproxima de Deus, conforme a definição dos Vedas que Krishna explica no Bhagavad-gita, verso 15.15 [1] Assim, em última análise, védico é aquilo que nos traz conhecimento de Deus, de Krishna, que é o conhecimento mais elevado e mais completo.

Portanto, o ponto inicial mais importante de se compreender é que védico não significa indiano. Existe uma grande confusão a esse respeito. O que acontece é que o conhecimento védico manifestou-se primariamente naquela parte do mundo que hoje chamamos de Índia e foi lá que foi mais preservado. Porém, misturado ao conhecimento puro védico está uma enorme bagagem cultural local, muito influenciada pelos invasores muçulmanos e também fruto da decadência típica da nossa atual era. Assim, podemos encontrar superstições (muito comum na Índia), rituais de todo tipo (também algo muito popular na religiosidade do povo da Índia) e outros elementos da cultura mundana local. Um exemplo prático disso é visto no Caitanya Bhagavata, onde, na descrição do casamento de Sri Caitanya Mahaprabhu com Srimati Vishnupriya, é descrito que entre os tradicionais rituais védicos de casamento muitos outros costumes locais foram também observados. Ou seja, mesmo há mais de 500 anos, na cidade onde o Senhor apareceu, distinguia-se entre a cultura védica e a cultura local.

“Há muitas coisas na Índia que são mais védicas que no ocidente, e muitas coisas no ocidente que são mais védicas que na Índia” (Sua Santidade Hridayananda Das Goswami Acharyadeva).

Como separar o joio do trigo? Baseando-se nas escrituras confirmadas por todos os grandes acaryas (mestres espirituais) de nossa linha de sucessão discipular (parampara), que inclui a própria Suprema Personalidade de Deus, Sri Caitanya Mahaprabhu, ou seja: o Srimad Bhagavatam, Bhagavad-gita, Sri Caitanya Caritamrta, etc. Afinal, o que Srila Prabhupada trouxe ao Ocidente foi uma ciência espiritual perfeita, não o hinduísmo. Certa vez, em um discurso dado na sua volta triunfal à Índia, Srila Prabhupada enfaticamente disse aos seus compatriotas: “Se vocês tentarem converter um ocidental ao hinduísmo, ele vai lhes dar um chute na cara!” Não é isso que Prabhupada veio fazer no Ocidente. Ele veio trazer algo puro, acima de qualquer influência geográfica ou temporal, algo verdadeiramente universal. É essa ciência universal da consciência de Krishna que ele, e todo nosso parampara, deseja ver sendo distribuída ao mundo. O mundo não está interessado em mais uma manifestação mundana de cultura e religiosidade. As pessoas estão cada vez mais querendo encontrar um conhecimento científico puro e completo para dar sentido e propósito à vida; um conhecimento universal que torne nossas vidas mais saudáveis e felizes. E é exatamente isso que o Srimad Bhagavatam e o Bhagavad-gita ensinam.

ASPECTOS EXTERNOS

É claro que não há dúvida quanto ao aspecto verdadeiramente espiritual e filosófico das práticas dentro da ISKCON. As escrituras são detalhadas e os comentários de Srila Prabhupada as tornam cem por cento compreensíveis. A essência de nossas práticas — como os princípios reguladores e o canto do maha-mantra, todo o vasto acervo de informações acerca do mundo espiritual e a vida em outras partes do universo material, o nome, forma e passatempos de Deus, etc. — tudo isso é perfeitamente fidedigno, explicado nas escrituras e por todos acaryas de nosso parampara. Esse é nosso grande tesouro, o conhecimento claro e perfeito acerca do Absoluto que a sociedade humana tanto necessita e que transforma a vida de todos que o recebem.

Porém, em muitos casos, existem alguns aspectos externos de nossas práticas e da forma com a qual apresentamos esse conhecimento no Ocidente que precisam ser examinados, onde há uma nítida confusão entre aquilo que é verdadeiramente védico e aquilo que é apenas indiano, hindu ou simplesmente inventado.

Entre devotos praticantes da consciência de Krishna (vaisnavas) e até mesmo entre acadêmicos, é reconhecido que o Srimad Bhagavatam (também conhecido como Bhagavata Purana) é a mais elevada e importante escritura de devoção a Krishna. Sabemos que alguns textos védicos (outros Puranas, o Mahabharata, etc.) sofreram alterações e não foram perfeitamente preservadas, porém sabe-se e é aceito que tanto o Srimad Bhagavatam como o Bhagavad-gita permanecem inalterados, não existindo qualquer controvérsia quanto a esse ponto. Agora se formos analisar esses dois textos, em especial o Srimad Bhagavatam, em termos de tentar entender os aspectos externos (roupa, arquitetura, tipo de culinária, etc.) das civilizações védicas ali descritas, veremos que pouquíssimos detalhes podem ser apurados. Às vezes na tradução vemos termos como saris ou algum nome específico de preparação culinária, mas, ao analisarmos o sânscrito, veremos que os termos são bastante vagos, como “roupa superior” ou “preparo feito com leite”. Como explicar que um texto tão vasto (cerca de 18 mil versos) e tão importante não contenha tais explicações? A resposta é muito simples: porque não são importantes. O propósito do texto é explicar o que é realmente importante, o que é realmente védico: a consciência de Krishna e o que isso implica em termos de diferentes técnicas de bhakti-yoga, estilo de vida, comportamento, organização social, etc. Ou seja, o texto nos apresenta o que é verdadeiramente védico e não os detalhes externos que variam de tempos em tempos, de um local para outro.

RISCOS

Poderia então se perguntar agora: e qual o problema de estar praticando algo indiano ou hindu? Mas o problema de fato é muito sério. Isso porque nossa missão não é de ser um mero representante da cultura indiana ou hindu, por mais bela e nobre que possa ser. Nosso destino não é de conquistar um pequeno território no campo das culturas e etnias mundiais. Nosso destino é salvar o mundo. Afinal, estamos representando Prabhupada e Krishna, o devoto puro e Deus (re-presentar, apresentar novamente). Prabhupada não veio ao Ocidente para iniciar uma rede de missões culturais da Índia. Ele veio para salvar a humanidade. Portanto, se estamos de alguma forma afetando a imagem de nosso Movimento de forma negativa ou mesmo mal representando a verdadeira cultura védica, então estamos falhando gravemente em nossa atuação, em nossa missão. Afinal, o aspecto externo é aquele que é primeiro visto. Se esse aspecto externo, por alguma falha nossa, é algo pouco atraente, desinteressante ou até mesmo ridículo, estamos então prejudicando a vida espiritual daqueles que, graças a nossa má atuação, perderam o interesse em nossa mensagem, na mensagem de Krishna e Prabhupada antes de conhecê-la. Até mesmo do ponto de vista psicológico, é sabido que o corpo e mente têm uma resistência natural a mudanças. Portanto, quanto mais mudanças, especialmente externas, parecemos exigir, menor será o número de pessoas dispostas a aceitá-las ou sequer se interessar pelo processo, especialmente aqueles já bem sucedidos e estabelecidos na sociedade. Em outras palavras, é de máxima importância apresentarmos apenas a essência, a verdadeira ciência espiritual, para tornar nossa mensagem mais acessível, atraente e mais facilmente aplicável.

O QUE PODE MUDAR?

Devemos ser muito mais cuidadosos na compreensão do sentido verdadeiro do termo “cultura védica”. Não devemos seguir em frente com modelos apenas por que têm sido usados até momento. Pelo contrário, devemos ter a humildade de reconhecer que precisamos mudar, pois, em termos práticos, quase 40 anos após a chegada de Prabhupada no Ocidente, pode-se dizer que nossa influência na sociedade ocidental é zero. Sim, milhões de seres humanos e outros seres vivos se beneficiaram enormemente da consciência de Krishna. Sim, centenas de milhões de livros e revistas foram distribuídos. Incontáveis toneladas de prasadam foram distribuídas mundo afora. Tudo isso é certo, maravilhoso e louvável. Porém, o problema é que nossos objetivos, os objetivos de Prabhupada, são muito mais grandiosos. Estamos aqui para radicalmente mudar a consciência, de materialista para espiritual, de uma significativa parcela dos habitantes do planeta, especialmente seus líderes. Portanto, é válido iniciarmos uma discussão sobre nossos métodos e hábitos, no intuito de aperfeiçoar nossa apresentação e melhor representar a verdadeira cultura védica e a consciência de Krishna ao mundo. Resistir a isso é natural. Todo ser humano tem um mecanismo psicológico onde qualquer prática ou ritual ligado a nossa espiritualidade, se realizada por tempo suficiente e por um número suficiente de pessoas, se torna parte integrante de nossa vida religiosa. Sem considerar a origem, praticidade ou autenticidade dessa prática ou ritual, achamos que nossas vidas espirituais serão seriamente ameaçadas se forem interrompidas ou alteradas. É justamente esse tipo de coisa que nos levou a abandonar nossas tradicionais religiões e nos aprofundar na consciência de Krishna. Não devemos ser sentimentalistas e sim verdadeiro cientistas. Falamos muito que a consciência de Krishna é uma ciência espiritual e não apenas uma religião. Portanto, devemos manter isso em mente ao questionar alguns aspectos de nossas práticas, não só agora, mas sempre. Vale sempre lembrar que isso não é uma licença para a especulação mental. Agir cientificamente em termos espirituais significa se basear cem por cento em guru, sastra e sadhu. Na ISKCON isso implica em levar a cabo as ordens de Srila Prabhupada, especialmente as contidas em seus livros, e não contrariar ou comprometer seus ensinamentos de forma alguma.

Vamos agora analisar alguns aspectos externos praticados na ISKCON:

Roupas

Aquilo que chamamos de “roupa devocional”, ou seja, dhoti, kurtas e saris, não é roupa devocional. Dhotis são usados por pessoas que odeiam Krishna, como os membros do Taliban e outros grupos muçulmanos radicais. Até Osama Bin Laden os usa. Dhotis não passam de roupas usadas na Índia e por outros povos entre o Oriente Médio e o sul e sudeste da Ásia. Roupas usadas por ateus, mayavadis, shivaistas, etc. Saris também são apenas roupas asiáticas, usadas por todo tipo de gente e não é, de forma alguma, algum tipo de exclusividade vaisnavas ou védica. E agora um fato realmente interessante: em todas nossas escrituras antigas sequer podemos encontrar a palavra dhoti ou sari – não são palavras sânscritas. O que se encontra no Mahabharata, na descrição de uma roupa apropriada, é o termo “casto”. Ou seja, a roupa verdadeiramente védica é aquela que é casta, limpa e digna. Isso sim é vestir-se de acordo com a cultura védica. Muitas vezes vemos saris que nem sequer védicos são, pois ao expor em demasiado a barriga de uma mulher deixa de ser uma roupa digna e casta. E, ademais, uma roupa não pode ser devocional ou não, e sim a consciência de quem a usa. Ou seja, não é a etnia da roupa que irá determinar se a consciência de uma pessoa é devocional ou não, e sim a apresentação (castidade, limpeza, dignidade) e comportamento em geral dessa pessoa. Também temos que abandonar essa idéia que todos que praticam a consciência de Krishna são monges e, portanto, precisam se vestir como tal ao ir ao templo, quando na verdade 99% dos membros da ISKCON vivem em casa e se ocupam em atividades não monásticas. Apenas os sacerdotes diretamente responsáveis pelo programa do templo precisam se vestir, serem identificados, como tais. Os demais membros da congregação apenas devem se vestir de forma “normal”, de forma verdadeiramente védica (casta, limpa e digna). Mesmo aqueles que são sannyãsis e sacerdotes no templo, ao sair na rua, podem se vestir de forma discreta (casta, limpa e digna), não com as mesmas roupas que usariam ao realizar um culto ou dar uma aula. Essa é a etiqueta observada no Ocidente, seguida quase na totalidade por sacerdotes de outras religiões. Portanto, não há razão para escolher uma roupa que cause estranheza, uma roupa asiática que nem sequer os líderes desses países usam, como sendo o uniforme de uma ciência espiritual universal, quando podemos optar por algo védico adequado a atual cultura global. A conseqüência disso seria fantástica. Imaginem como melhoraria nossa imagem se nos apresentássemos desta forma. Estaríamos derrubando uma enorme barreira que erguemos. Seria fantástico se as pessoas associassem o devoto como aquele que se veste de forma casta, limpa e digna. É essa a imagem que queremos transmitir.

Música

Achamos que músicas e instrumentos musicais do Ocidente não podem ser védicos. Isso é um grande engano. Pensamos que o harmônio, shenai, mrdanga e kartalas são verdadeiramente védicos. Porém o harmônio é um instrumento de origem alemã e o shenai é do Oriente Médio. Portanto, a origem ou tipo do instrumento não faz diferença alguma e sim o resultado final. Música védica é aquela que é realizada com “conhecimento”. Isso significa conhecimento musical e conhecimento transcendental. Ou seja, a música védica é aquela que não só demonstra um alto grau de harmonia, graça e beleza musical, mas também que eleva nossa consciência a Deus. Por exemplo: Vivaldi era um padre, Bach viveu num mosteiro e Hendel era muito religioso e usava sua música como forma de elevar as pessoas e a glorificar Deus — todos são reconhecidos como gênios musicais. Portanto, suas músicas são cem por cento védicas. Isso é apenas um exemplo; existem, é claro, muitos outros no Ocidente e certamente em outras culturas também. O ponto é entender que védico não significa apenas indiano.

Por outro lado, não basta apenas adicionar o elemento espiritual aos santos nomes de Deus ou Seus passatempos e instruções, para tornar um som em música védica. Se ligarmos uma britadeira e uma serra elétrica e ao mesmo tempo cantarmos o maha-mantra, não podemos afirmar que isso é música devocional. É certo que os santos nomes são absolutos, mas música não. Achar que qualquer barulho é música é fruto de uma sociedade ignorante e certamente contraria o princípio de uma cultura védica, uma cultura de excelência, onde em tudo se busca a perfeição e a elevação. A música na cultura védica, como tudo mais, deve ser uma oferenda a Deus. Da mesma forma que deixamos apenas nossos melhores cozinheiros preparem os alimentos para as Deidades, também precisamos deixar apenas nossos melhores músicos tocarem e cantarem para as Deidades. O kirtana nos templos é uma oferenda musical à Deidade, não algo feito para nosso prazer e desfrute. Portanto, sons estridentes ou perturbadores (como se obtém ao ter vários kartalas e/ou mrdangas sendo mal tocadas simultaneamente), excessivos barulhos (que já levou muitos devotos à perda parcial de audição) e falta de musicalidade é tão ofensivo quanto oferecer um alimento demasiadamente salgado ou queimado para as Deidades.

Nossa ciência espiritual diz que devemos cultivar o modo da bondade, para então transcendê-lo à pura espiritualidade. Onde está o modo da bondade num kirtan onde as pessoas correm o risco de perder sua audição? Onde instrumentos de percussão são usados como uma espécie de terapia primal? Onde o som que é produzido dificilmente seria interpretado como música por qualquer pessoa sana?

Vemos nos passatempos do Senhor Caitanya como Ele pessoalmente escolhia os músicos e cantores para seus kirtans, escolhendo, é claro, os melhores. Até mesmo no início da ISKCON, na década de 1960, ninguém poderia tocar diante da Deidade sem antes passar por um treinamento e ser aprovado. Veja como Prabhupada tocava a mrdanga, que maravilha que é! Mrdanga é um verdadeiro instrumento, que necessita de treinamento e estudo para ser bem tocado. Quem for tocá-lo, especialmente diante das Deidades e dos outros devotos, deve seguir os passos de Prabhupada, estudando e praticando seriamente.

Como seremos respeitados por termos o mais elevado conhecimento e forma de viver se a expressão musical pela qual somos conhecidos e que oferecemos a Deus em nossos templos é algo tão parecido com o som heavy metal e punk? Por acaso os líderes da sociedade global glorificam ou apreciam esse tipo de música? Quantas pessoas respeitáveis de nossa sociedade, professores, médicos, empresários, etc., seriam capazes de se sentirem inspirados ao ouvir um kirtan assim? Podemos fazer lindos kirtans, verdadeiramente doces (madhu, madhu, dizia Bhaktivinode Thakur) — kirtans que invocam o modo da bondade, a devoção, não a paixão desenfreada. Não devemos fazer um show de êxtase devocional, correndo, berrando e estraçalhando as karatalas e mrdangas. Existe um grande risco de confundir êxtase devocional com uma manifestação da nossa cultura original, ou seja, uma cultura onde predomina o modo da ignorância (barulho e dor) e paixão (cantar/tocar a todo volume e ritmo frenético).

Harinam

No caso de Harinam nas ruas, o efeito é ainda pior, muito mais grave, pois estamos forçando as pessoas a se submeterem a algo que para a maioria não é nada atraente (curioso e engraçado na melhor das hipóteses).

Em Bombaim, Prabhupada proibiu o Harinam quando descobriu que era mal visto pela classe alta local. Por acaso a elite das sociedades no Ocidente acha o Harinam atraente e bonito? Na época dos hippies pode ter sido um grande sucesso e altamente eficaz (em atrair hippies), mas será que isso é aplicável ao nosso tempo, lugar e circunstância? E se realmente formos sair às ruas cantando e tocando instrumentos não deveríamos ser duplamente cuidadosos na escolha dos músicos e na roupa que usarão ao nos representarem diante de todo o público?

Cultura do piso

Temos na ISKCON a errônea idéia que cultura védica significa sentar, comer e dormir no chão. Achamos que isso é tão nobre e benéfico, que obrigamos nossos visitantes a fazerem o mesmo em nossos templos. O Srimad Bhagavatam e outras escrituras estão repletas de descrições de móveis, camas, etc. Isso é um bom exemplo de como os devotos da ISKCON assumiram uma cultura artificial, mesmo contrariando as sugestões de Srila Prabhupada, o que dizer, então, da antiga cultura védica. Um exemplo famoso é o de Los Angeles. Quando Prabhupada foi ver a igreja que mais tarde a ISKCON comprou e onde, até hoje, se situa o templo de Los Angeles, os bancos ainda estavam lá. Srila Prabhupada falou para os devotos que eles deveriam deixar os bancos lá para o público ficar mais confortável. Mas, no entusiasmo, os devotos os tiraram, e até hoje continua sem bancos.

Não há razão alguma para não termos lugares para nossos convidados sentarem. É um absurdo achar que devemos impor tal desconforto a aqueles que estão se aproximando de Krishna e Prabhupada e até mesmo impor isso à nossa congregação. Quando devotos têm suas próprias casas, sempre encontramos confortáveis sofás, camas e cadeiras. Por que achamos que no templo o padrão deve ser inferior? Onde está a ciência espiritual nisso?

Talheres

O mesmo pode ser dito da cultura de comer com as mãos. Tudo bem que Srila Prabhupada fazia assim, mas ele foi criado assim. Viveu toda uma vida numa cultura onde se comia assim. É óbvio, portanto, que ele não mudaria ao chegar no Ocidente. Mas esse não é nosso caso e muito menos nossa cultura. Não há vantagem alguma em comer com a mão, se termos talheres disponíveis. Não é mais higiênico ou mais prático. O efeito que tem em nossos visitantes é muito ruim, pois no Ocidente isso não é bem visto. É considerado um tanto grosseiro e estranho, até mesmo repugnante. Portanto, não podemos correr o risco de transmitir uma impressão tão ruim assim por conta de algo que não é védico, nem de forma alguma necessário.

Vamos refletir um momento e pensar o que um ocidental pensaria ao ver pessoas vestindo uma roupa asiática que mais parece uma fralda gigante, sentados no chão, comendo com as mãos... E o pior que nada disso é védico, é necessário ou nos ajuda a desenvolver a consciência de Krishna. Pior ainda prejudica enormemente nossa missão, nosso verdadeiro dever, de difundir a ciência espiritual pura de bhakti-yoga.

Comida

Tanto no Bhagavad-gita como no Srimad Bhagavatam encontramos descrições do tipo de alimento que devemos oferecer a Deus e comer. Diversas vezes é explicado que devemos oferecer e então comer alimentos no modo da bondade. Tais alimentos são descritos no BG (17.8) como sendo aqueles que aumentam a duração da vida, são saudáveis, purificam nossa existência, nos dão força, felicidade e satisfação. Isso, portanto, é comida védica.

Não há necessidade alguma de ser comida indiana. Nem tampouco podemos achar que podemos comer todo tipo de fritura e doce ou pratos cheios de queijos industrias (todo queijo amarelo no Brasil contém coalho bovino!).

Basta ver a saúde precária de muitos devotos antigos, que se submeteram a uma dieta nada saudável de excessiva gordura e açúcar. Os devotos não deveriam ser conhecidos como aqueles que fazem saborosos pratos Indianos (um rótulo étnico), mas, sim, como aqueles que fazem saborosos pratos que, “aumentam a duração da vida, são saudáveis, purificam nossa existência, nos dão força, felicidade e satisfação” (que seria reconhecimento de um conhecimento superior e científico).

Cada vez mais as pessoas buscam tais alimentos e deveríamos ensinar ao mundo como comer assim, uma vez que isso é uma parte intrínseca da verdadeira ciência espiritual da consciência de Krishna.

Cantando japa nas ruas

Até mesmo o simples ato de cantar japa nas ruas, com a mão no saquinho, tem resultados contraproducentes para nossa pregação. Vamos apenas refletir na aparência de alguém com a mão enfiada num saquinho, com um dedo para fora, sacudindo-o e falando para si mesmo (e muitas vezes fazendo alguma careta em concentração).

Vamos deixar de lado por um momento o fato de sabermos que o ato em si (cantar japa) é maravilhoso e benéfico e vamos imaginar o que uma pessoa normal no Ocidente pensa ao ver isso. Esse é o ponto. Não devemos apenas agir de forma a nos beneficiar, mas sim agir de forma que outros também se beneficiem. Se algo que fazemos, que pode ser alterado sem comprometer nossos verdadeiros princípios, causa estranheza ou afeta nossa imagem de forma negativa, então continuar a agir assim é irresponsável e egoísta. Irresponsável porque estamos ignorando a ordem máxima de Prabhupada de apresentar a consciência de Krishna de forma inteligente e atrair o máximo número de pessoas e egoísta porque estamos pensando apenas em nosso avanço espiritual.

Dança, arte e arquitetura

O mesmo princípio aplica-se a todos os demais aspectos da cultura védica. Dança, arte e arquitetura védicas também não são necessariamente indianos. Prabhupada freqüentemente apreciava a arquitetura clássica ocidental. Nossos templos não necessitam ter aquela decoração rebuscada e colorida que costumeiramente possuem. Nem há razão para sempre termos shows de dança indiana em nossos programas como Ratha Yatra. Isso só faz estereotipar nossa imagem, limitando assim a visão que as pessoas poderiam ter da ISKCON, de estar representando algo realmente universal e prático.

JUSTIFICATIVA

De acordo com os ensinamentos de Prabhupada e das escrituras essas mudanças podem ser feitas na ISKCON? A resposta é sim. Podem e devem. É nosso dever. Prabhupada falou que ele tinha apenas criado a estrutura básica1 e que cabia a nós dar o acabamento. Podemos ver que em seus 60 volumes, ele não fala sobre esses pequenos detalhes, sabendo que isso é uma questão de tempo, lugar e circunstância. Como poderia um movimento durar 10 mil anos sem alterar tais detalhes? Como poderia uma ciência ser válida por todo tempo em todos os universos se ficasse presa a esse tipo de coisa?

O ponto é que Prabhupada sempre falava, “apenas acrescente Krishna”2. Ele não dizia para apagarmos tudo e começar do nada, e sim deixar tudo do jeito que está, mas acrescentar Krishna, pois aí o resultado seria maravilhoso. Um dos pontos mais importantes da nossa filosofia, que Prabhupada enfatiza repetidamente, é o princípio de adaptar a ciência espiritual ao tempo, lugar e circunstância3. Prabhupada não veio ao Ocidente para tirar nossas calças ou os talheres de nossas mãos, nem nossas cadeiras. Tampouco ele veio para substituir a arquitetura, dança e música clássica ocidental. Ele veio para trazer Krishna e a ciência de conectar tudo a Ele novamente.

CONCLUSÃO

Na verdade, a cultura védica não é algo externamente padronizado, em termos do tipo de música, roupa, arquitetura, culinária, etc. Varia de um lugar para o outro e de uma época para outra. Não é que por todo universo, por toda Vaikuntha, onde quer que predomine a cultura védica iremos encontrar exatamente o mesmo tipo de roupa, arquitetura, arte, dança, culinária, etc.

Se mesmo num minúsculo planeta como o nosso encontramos simultaneamente tantas culturas vastamente diferentes, o que dizer da inconcebível criação de Deus? Não é por omissão que nossas principais escrituras, e nossos grandes ãcãryas, incluindo Prabhupada, não tocam nesses assuntos. É porque isso é uma questão variável, uma questão superficial. O que não é variável na cultura védica é a ciência espiritual, as diferentes formas de auto-realização e avanço espiritual, culminando em puro serviço devocional a Sri Krishna. Também não é variável o fato que cultura védica significa esmerar pela perfeição, pelo conhecimento máximo em tudo que se faz.

Assim, a ISKCON deveria se esforçar para mostrar ao mundo esse ideal de buscar a qualidade máxima em tudo que se faz como uma oferenda a Deus. Quem pode argumentar contra um objetivo tão perfeito? Quem poderia se opor a um Movimento que trabalhasse assim? Se realmente estamos levando a sério a ordem e a missão de Srila Prabhupada, devemos entender que não há outra alternativa. No mundo globalizado vemos duas principais tendências: a busca pela excelência e a padronização de uma cultura universal.

Empresas e governos sérios investem bilhões de dólares em educação e treinamento para seus funcionários, exigindo deles um nível cada vez maior de eficiência e qualidade. Praticamente nenhuma empresa grande consegue sobreviver sem estar constantemente aperfeiçoando seus produtos e processos. Nos países mais desenvolvidos, o povo também exige de seu governo crescente qualidade e excelência. E, já há muitas décadas, vemos que aquilo que é considerado como sendo algo digno e respeitável em Nova York, será igualmente digno e respeitável em Xangai, Deli, Paris ou São Paulo. O mundo busca universalidade para essa nova realidade.

É insensato e contraproducente tentar apresentar uma mensagem, não importa quão maravilhosa seja, imersa num formato étnico exótico. Agindo dessa forma estamos dizendo ao mundo que não estamos interessados nele, e, em contrapartida, o mundo não está interessado em nós. Estamos totalmente fora de sintonia com a realidade atual. Claro que nossa filosofia é perfeita e na verdade pessoalmente não precisamos da aprovação de ninguém, nem estamos interessados em seguidores, fama, etc. Mas, como uma instituição, como pregadores, não podemos pensar assim. Temos que nos esforçar e fazer tudo que pudermos para nos manter atuais e relevantes, se quisermos que nossa mensagem seja ouvida.

NOTAS

1 “Now I have built the skyscraper framework, you fill it in nicely” (Carta a Rupanuga, Delhi, 10 de dezembro de 1971).

2 “They are interested to get knowledge, but the materialistic knowledge will lead them astray from real goal of their intelligence, and all of their credits in education will only add up to so many zeros. But if you yourself are very much well-acquainted with our Krishna philosophy, you will be able to convince them that if they make Krishna or God the center of their learning process, never mind they're scientists, chemists, politicians, whatever they may be, if they put Krishna in front of so many zeros they will come out with a huge sum and their life will be very much perfect” (Carta a Tribuvannatha, Los Angeles, 16 de junho de 1972)

3 “The method of worship — chanting the mantra and preparing the forms of the Lord — is not stereotyped, nor is it exactly the same everywhere. It is specifically mentioned in this verse that one should take consideration of the time, place and available conveniences. Our Krsna consciousness movement is going on throughout the entire world, and we also install Deities in different centers. Sometimes our Indian friends, puffed up with concocted notions, criticize, “This has not been done. That has not been done.” But they forget this instruction of Narada Muni to one of the greatest Vaishnavas, Dhruva Maharaja. One has to consider the particular time, country and conveniences. What is convenient in India may not be convenient in the Western countries. Those who are not actually in the line of acaryas, or who personally have no knowledge of how to act in the role of acharya, unnecessarily criticize the activities of the ISKCON movement in countries outside of India. The fact is that such critics cannot do anything personally to spread Krsna consciousness. If someone does go and preach, taking all risks and allowing all considerations for time and place, it might be that there are changes in the manner of worship, but that is not at all faulty according to sastra. Srimad Viraraghava Acharya, an acharya in the disciplic succession of the Ramanuja-sampradaya, has remarked in his commentary that candalas, or conditioned souls who are born in lower than sudra families, can also be initiated according to circumstances. The formalities may be slightly changed here and there to make them Vaishnavas” (SB 4.8.54, Significado).

[1] Estou situado nos corações de todos, e é através de Mim que vêm a lembrança, o conhecimento e o esquecimento. Através de todos os Vedas, é a Mim que se deve conhecer. Na verdade, sou o compilador do Vedanta e sou aquele que conhece os Vedas.


Darshan Los Angeles – 25 de Janeiro 2003

Hare Krishna ! Bom dia, Boa tarde, Boa noite

Pergunta : Srila Acharyadeva, o que que o senhor tem feito desde que o senhor visitou o Brasil ?

Srila Acharyadeva : Desde que eu visitei o Brasil ? Há, em quantas palavras ou menos. Há, viajei bastante nos Estados Unidos pregando, cantando Hare Krishna. Ainda o mesmo mantra! Há, e também trabalhando seriamente num livro que eu acho que muitos devotos já entendem que estou trabalhando nisso, é uma tentativa de apresentar a consciência de Krishna de tal maneira que, que ela seja compreensiva, que ela seja inteligível para as pessoas em geral e também que seja muito atraente. Então, eu estou um pouco resfriado, não estou chorando não, (risos) eu estou resfriado.

Podemos ver através da história o poder, podemos dizer da literatura e Srila Prabhupada também, acho que no significado do verso do Bhagavatam primeiro canto capítulo cinco verso vinte e dois, acho, Prabhupada explica que, as ciências, belas artes, literatura, tudo isso deve ser, deve ser, tudo isso dedicado ao serviço de Krishna e quando tudo isso for dedicado seriamente, apropriadamente ao serviço de Krishna, que tudo isso será algo de grande valor para a humanidade.

Então, eu estou nisso, eu estou tentando. Agora que existe dentro da Iskcon a possibilidade de para aqueles devotos que são qualificados ou feitos para isso, possibilidades de serviço academico de introduzir a consciência de Krishna nos meios eruditos, academicos. Agora eu também estou interessado em tentar introduzir a consciência de Krishna nos meios de literatura, de, uma apresentação que possa colocar esse movimento, colocar a consciência de Krishna diretamente no meio, no centro da vida cultural das pessoas. Então, há, é isso mesmo, eu estou trabalhando muito nisso no ano 2001. Eu estou perdendo a conta dos anos, agora que já contei tantos anos na minha vida, então, mas no ano 2001 eu passei seis meses no Estado de Virgínia, Estado que era Estado importante na era colonial da história norte-americana e porque o livro acontece nesse lugar.

Além disso eu estou pregando e também estou fazendo planos sérios para voltar a uma vida, voltar a um serviço de outra vez tentar levantar a consciência de Krishna numa região específica. Como muitos de vocês devem saber que eu era GBC lá no Brasil por alguns anos e em outros lugares, na Flórida, Itália e a Iskcon nossa querida sociedade atravessou uma fase, várias fases e em certo momento eu via uma necessidade pessoal de me retirar um pouco desse tipo de serviço por vários motivos e agora eu sinto que Krishna está me chamando de volta, para outra vez tentar fazer algo nesse sentido de, aqui nos Estados Unidos que eu sinto me chamado por Prabhupada para fazer algo aqui e tentar assim pegar uma região de preferência por minha natureza, uma região talvez, um pouco, não quero dizer negligenciada mas, um pouco esquecida talvez, estados bons com pessoas inteligentes mas, estados ou lugares onde não existe muito agora, e assim tentar desenvolver a consciência de Krishna.

Prabhupada disse que o segredo assim para manter os devotos animados, o segredo é de sempre dar aos devotos um desafio novo, algo fresco, muitos de nós somos frescos as vezes mas, bom, então assim o que me atrai nas regiões não desenvolvidas ou subdesenvolvidas, não apenas assim o fato de poder levar a consciência de Krishna num lugar onde não existia antes mas, também como talvez vocês tivessem ouvido, eu tenho certos conceitos, certas idéias que não são, acho que não são muito perigosas ou as idéias, ou como se diz em português, heréticas ? Mas, idéias práticas sem mexer com o programa básico de Prabhupada, sem mudar o programa espiritual básico que Prabhupada deu para nós, e um programa que nós nem temos autoridade assim para mudar, mas mantendo intacto este programa básico de Prabhupada de prática espiritual e os ensinamentos de Prabhupada.

Eu estou interessado em tentar apresentar a consciência de Krishna numa forma que ela seja como quero dizer, a mesma idéia com a literatura que estou preparando, que a consciência de Krishna seja fácil, acessível, confortável para as pessoas que nasceram e foram criadas e vivem no ocidente. Conceito de Cultura Védica, não como uma cultura étnica uma cultura da Índia ou de outro lugar mas, uma cultura universal. Claro uma cultura com conhecimento específico de Krishna, da forma de Krishna, do mundo espiritual, e existe muita informação específica sobre a Verdade Absoluta, sobre o processo de bhakti-yoga, porém, eu acho que também existe um aspécto ou uma realidade da Cultura Védica que ela é bem universal, ela abrange todo mundo por ser a Cultura de Deus, uma Cultura Divina, um conceito que Prabhupada nos ensinou. Então, em formas, podemos dizer talvez cosméticas, mas existe uma relação também linguistica entre cosmética e cósmica. Então em formas cosméticas, em formas num sentido superficiais, não essenciais, tentar apresentar a consciência de Krishna de tal maneira que realmente, que ela seja vista como uma ciência espiritual, não como uma tentativa que Prabhupada nos avisou de não fazer ! A tentativa de impor uma cultura oriental num contexto, numa civilização ocidental, senão de trazer uma ciência universal, uma ciência espiritual, uma ciência de Krishna, uma ciência de Deus. Uma ciência que deve ser completamente confortável num contexto cultural brasileiro ou americano.

E assim tenho passado um tempo nos últimos dois anos, formulando na minha mente através de orações, estudos e conversas com devotos formulando um conceito claro, autêntico, Védico de como apresentar a missão de Srila Prabhupada de tal maneira que seja possível que a consciência de Krishna realmente se torne a cultura espiritual principal deste mundo.

Pergunta : O senhor poderia dar alguns exemplos disso ?

Srila Acharyadeva : Aqui e agora ? Há, um exemplo que Prabhupada deu no significado do Bhagavatam quarto canto, capítulo oito, verso cinquenta e quatro que em cada lugar do mundo, em cada região podemos e até devemos preparar para a Deidade alimentos que sejam antes de mais nada lícitos e não ilícitos, alimentos que sejam apropriados, porém, alimentos que sejam usando as palavras de Prabhupada, alimentos que sejam convenientes nessa cultura. Por exemplo no Brasil existe uma riqueza de frutas. Então, podemos oferecer essas frutas ou existe uma certa arte culinária no Brasil e em toda parte espero. Inglaterra num sei quem sabe. A Inglaterra é famosa por não ter alimentos muito atraentes mas, assim oferecer alimentos que sejam obviamente vegetarianos e limpos e apropriados mas, alimentos que sejam convenientes para uma região particular, ou arquitetura por exemplo, na Índia existe uma certa arquitetura,Vrndãvana que é uma arquitetura clássica, impressionante mas, não necessariamente uma arquitetura absoluta que no mundo espiritual todos os prédios são exatamente dessa forma. Podemos observar na Índia em vários sentidos influências muçulmanas, influências até européias em certo momento e claro que a consciência de Krishna basicamente está vindo dessa região e por isso existe sempre uma dívida profunda com essa cultura que conservou e entregou para nós através de Srila Prabhupada seu máximo embaixador, essa grande ciência espiritual.

Ao mesmo tempo, sabe que eu acho que eu vou fazer algo antes de só falar, eu já falei muito, existem cassetes que ... mas eu vou tentar fazer algo que eu posso mostrar, isto é cientifico né ? Prabhupada disse que se você acha que você tem uma boa idéia, você deve fazer alguma coisa pra mostrar o valor de sua idéia. E agora depois de formular e conversar e elaborar assim meus pensamentos sobre isso e o Giridhãri já escreveu algo sobre isso né ?

GD : Já !

Srila Acharyadeva : Então agora eu estou numa fase que eu gostaria de mostrar na prática que a minha idéia funciona ou mostrar que não funciona. Nos dois casos o resultado será muito iluminante. Porém, eu acho que sim, que é uma coisa boa, de respeitar, de agradecer, reconhecer, agradecer esse grande presente da Índia mas, de não cair na idéia de que essa cultura é uma cultura indiana, isso é uma ciência espiritual.

Pergunta : Acharyadeva os devotos gostariam muito que o senhor visitasse o Brasil. Por que o senhor não pode viajar para o Brasil ?

Srila Acharyadeva : Neste momento só por motivos de saúde. Eu acho que porque depois de viajar muito por mais de trinta anos, quase trinta e um anos eu estou um pouquinho cansado, e não só cansado porque podem dizer, então descanse e venha. Mas minha experiência é que nos últimos anos, três ou quatro anos e também noutros momentos que eu perco quase metade do ano recuperando das viagens e Krishna me colocou numa situação que parece que não tenho assim resistência para viajar, mas quando não viajo me sinto muito bem. Estou aqui vivo, hoje, e posso servir Prabhupada, posso pregar, posso tentar contribuir algo de sólido como Prabhupada dizia, algo de valor ao movimento. Porém, quando viajo e quanto mais longa a viagem pior, geralmente minha saúde como dizer, me dou muito mal, assim fazendo muitas viagens, então, claro que estou cheio de saudades, assim eu penso frequentemente no Brasil e eu penso nos devotos e eu gostaria de ver os devotos mas, nesse momento eu acho que Krishna está me amarrando, tá me prendendo aqui com um serviço específico e eu entendo que é um pouco difícil para os devotos brasileiros viajar devido ao custo né ? fatores econômicos, fatores digamos diplomáticos, tirar um visto e porém, eu acho que com o tempo tudo será resolvido. Outra pergunta ?

Pergunta : O senhor poderia falar um pouquinho sobre esse terrorismo religioso que está assim assombrando o mundo, que que o senh, do ponto de vista da consciência de Krishna que que ...

Srila Acharyadeva : “Religião no modo da ignorância”

Matar pessoas inocentes em nome da religião é religião de asuras !

Não existe, na realidade não existe um deus que deseje que seus seguidores matem crianças e pessoas inocentes. Não existe tal deus !

Outro ponto talvez relevante é que infelizmente apesar da existência da internet e a comunicação eletrônica, correio eletrônico, todo mundo voando, viajando, apesar disso, estamos numa era quase medieval, num sentido de uma falta irônica nessa era de boa comunicação. E por isso alguns devotos talvez com boa vontade talvez, chegaram a certas conclusões erradas sobre o status da minha vida espiritual e na realidade eu estou graças a Srila Prabhupada e o Senhor Krishna mais feliz do que nunca, gostando muito do meu asrama natural de sannyãsi, cantando com o maior prazer o santo nome de Krishna.

Sinto-me fiel a missão de Srila Prabhupada dentro da Iskcon e meus únicos planos são planos diretamente dedicados a pregação da consciência de Krishna.

“Canto minha japa, sigo os princípios, gosto de prasada, sou até vegetariano, juro.” E, devido a um tipo de não sei, coisa quero dizer, os curantismo (curare) um tipo de, uma que talvez nem seja culpa de ninguém talvez, eu não quero culpar ninguém mas, existe uma tendência desafortunada, inauspiciosa de fofoca, uma tendência sem dúvida alimentada pela existência de comunicação tão fácil que ela não requer prudência nem inteligência é só apontar e click né ? quer dizer, quando as comunicações se tornam tão fáceis, também uma coisa muito fácil, também se torna uma coisa barata, uma coisa negligente, negligenciada e essas fofocas são num sentido bastante divertidas, até criativas e eu até tenho uma coleção bastante interessante de fofocas falsas sobre a minha pessoa e num sentido eu acho que elas são bastante divertidas viu, porém, por outro lado reconheço que sem dúvida existem devotos ou discípulos meus ou devotos em geral inocentes de boa fé, de boa vontade que podem ser prejudicados ou confusos, ou confundidos ou podem sofrer em poucas palavras, por causa de fofocas assim.

Obviamente mais agora nesse momento histórico no qual muitos líderes tiveram problemas reais. Então, por isso sinto um dever de assim oferecer essa segurança aos devotos que são meus benquerentes, discípulos, amigos, pessoas que são meus benquerentes, de que estou aqui na luta, desfrutando muito da vida espiritual “ainda não fumo ou bebo”, bom bebo água e as vezes até suco de fruta nos dias santos. E eu estou muito bem, muito feliz, muito alegre, muito agradecido com Prabhupada, com Krishna e espero que ninguém seja colocado numa posição difícil ou de infelicidade devido a essas fofocas.

Então dependendo da hora em que você está agora, boa noite, bom dia, boa tarde, até logo.

Por favor me perdoe pelos erros na transcrição. Atenciosamente seu servo Nayana_Dasa

Darshan 21 de fevereiro de 2005


Por favor me perdoem pelos grandes erros de português e de inglês ao digitar. Apesar de todos os meus erros acho que todos poderão compreender as instruções super importantes que Srila Acaryadeva está passando para todos da ISKCON.
Os textos entre parênteses foram escritos por mim para tentar explicar o que não podia ser visto.
Atenciosamente N
ayana Dasa


GD: Ok Srila Acharyadeva faz mais ou menos um ano que nós tivemos nossa última entrevista, o senhor poderia nos dizer o que o senhor tem feito nesse último ano?
Srila Acharyadeva: Comi bastante há há há há. Ah no último ano? Onde deixamos...
GD: Nossa última gravação foi em Davis.
Srila Acharyadeva: Em Devas? West Virginia.
GD: Sim
Srila Acharyadeva: Ah isso. Quando sai de Devas, aaaaaaa fui a Morgantown cidade universitária do Estado de West Virginia daí fomos assim viajando de carro parando em centros de pregação até chegar na cidade de Lenker Nebraska, capital do Estado de Nebraska, cidade também universitária e fiquei talvez quatro semanas lá escrevendo. Daí fomos aaaa, Nebraska também faz parte da minha zona de GBC. Voltei a Califórnia e logo depois de chegar lá a Los Angeles eu vim pra cá, Saint Louis o Bispo e firmei um contrato assinei, ah como se diz em português. Assinei um contrato e nós mudamos para Saint Louis o Bispo e abrimos um centro de pregação seguindo os passos de Danvantari Swami. E agora estamos aqui nesta casa que, é a segunda casa que estamos alugando aqui na cidade. E basicamente nos últimos dez meses estou aqui, ah estamos desenvolvendo um tipo de centro de pregação para o novo milênio, no sentido que estou tentando aplicar ou levar a cabo os conceitos que tenho desenvolvido sobre como podemos apresentar a consciência de Krishna numa forma que seja atraente para pessoas inteligentes. Pessoas que tenham a possibilidade de realmente dar uma força mesmo para esse movimento, para que esse movimento cresça para o bem-estar de todos. Esse movimento é para o bem-estar de todos porém, uma coisa bem prática né, uma coisa prática, que ah temos que convencer pessoas competentes, pessoas assim que tenham capacidade de realmente dar uma força para que esse movimento seja importante etc., to repetindo já.

Então eu vim aqui numa cidade pequena universitária. Na cidade tem talvez 45.000 habitantes pequena cidade e... essa cidade é uma cidade central e principal, nesta região tem mais ou menos trezentos mil habitantes, então eu vim aqui assim, aqui é mais ou menos um tipo de laboratório de pregação e o resultado me parece que é muito positivo. Que a congregação que estamos formando aqui, ah é formada assim de pessoas bem inteligentes, profissionais. Claro, também estudantes universitários. Queremos que todo mundo receba a misericórdia de Krishna mas temos, tem essa parte estratégica de realmente de ter uma posição prática na sociedade.

Então ta dando certo aqui e agora eu vou ficar também GBC para o Estado Americano de Terenci onde tem uma fazenda monaseva (coisa parecida) e algumas cidades importantes como Nashville, Menphis e assim.

Então vamos tentar transplantar a mesma tecnologia para uma cidade maior. A cidade de Nashville por exemplo tem mais ou menos um milhão de habitantes. Então vamos tentar repetir ou reproduzir este programa numa cidade bem maior.

GD: O senhor falou que Saint Louis o Bispo foi um tipo de laboratório que o senhor tem experimentado técnicas novas, o senhor poderia falar um pouco quais são as técnicas que deram mais certo?
Srila Acharyadeva: Bom, o que falei a outra vez, alguns anos atrás sobre o que é védico. Estamos tentando apresentar ciência espiritual sem exigir que as pessoas mudem toda sua vida. Estamos oferecendo, não assim num sentido cultural, não só pregando para as pessoas mas, compartilhando que temos aaaaaaa criando amizade com as pessoas dentro dessa meta... Claro com pessoas que procuram amizade com vaisnavas. Nós não estamos escondendo o fato de que sejamos devotos e nos apresentamos honestamente como praticantes e professores de bhakti-yoga.
GD: Eu reparei que o senhor tem aqui na congregação professores de filosofia, psicoterapeutas, pessoas de altíssimo nível na sociedade. Como que o senhor conseguiu chegar a estas pessoas?
Srila Acharyadeva: Abrindo espaço para eles no qual eles podem se sentir confortáveis, tranqüilos. A idéia é que obviamente somos membros de uma comunidade espiritual, de uma sociedade espiritual que é a ISKCON. Ao mesmo tempo aqui na cidade nos apresentamos e nos sentimos membros da sociedade.

Por exemplo uma pessoa que seja digamos um padre, um sacerdote católico, ministro protestante ou um rabino. Eles são membros da sociedade né? Eles tem sua doutrina, sua filosofia, tem sua prática talvez, em alguns casos, mas ainda assim eles são membros da sociedade.

Então eu acho que nós temos que ter a maturidade suficiente, força espiritual suficiente para realmente participar, para sermos membros da sociedade e ao mesmo tempo seguir estritamente nosso caminho espiritual.

Se queremos que as pessoas fiquem interessadas na gente, acho que a gente tem que ficar interessado neles e, acho que temos que ter, temos que sentir um gosto mesmo em apreciar mesmo outras pessoas, especialmente as pessoas boas né? Pessoas que são abertas e hoje em dia tem muita gente aberta. Temos que realmente sentir um gosto em contato, não contato mundano de participar de uma vida material mas, de realmente abrir uma amizade com eles. Abrir amizade sincera e participar com elas na sociedade mas, somos praticantes de bhakti-yoga, somos gaudya-vaisnavas, somos seguidores de Srila Prabhupada porém, como seguidores de Prabhupada, como vaisnavas praticantes estritos, somos membros da sociedade.

E não sempre nos ver como um mundo a parte, porque se sempre ficamos num mundo a parte, vamos ficar num mundo a parte. Então tem um mundo aqui e estamos num mundo a parte e os dois mundos estão mais ou menos separados.

Quando eu cheguei aqui e comecei dar aulas sobre as yogas-sutras porque tenho essa facilidade. Então dei uma aula de yoga-sutra numa escola de yoga, conheci vários professores de yoga e outras pessoas de bom nível ou que freqüentavam escola de yoga.

Nós não podemos sempre aparecer em público com essa atitude, esse estilo de sempre querer convencer, vender, puxar, dominar. Temos que ter fé que como diz em inglês que, a água encontra seu próprio nível.

Minha experiência é que se nós temos força espiritual e a gente não vai se contaminar, se podemos simplesmente participar da sociedade como gaudia-vaisnavas, como seguidores de Srila Prabhupada sem esse astral digamos, essa consciência de sempre querer convencer, pregar, vender, puxar para o templo mas, simplesmente de ser a gente. Naturalmente as pessoas começam reconhecer que somos mais sérios, que a gente acorda bem cedo, que a gente tem escrituras sérias, antigas, impressionantes, que somos coerentes, que aqui tem uma certa superioridade natural, não forçada, não declarada mas, inevitável.

Então eu estou tentando exprimir o que fizemos aqui, eu acho que é simplesmente ter confiança que a gente não tentando dominar ninguém, ganhar de ninguém, concorrer com ninguém, simplesmente vivendo a consciência de Krishna e explicando a consciência de Krishna pras pessoas que mostram interesse. Que entramos na sociedade, que somos aceitos na sociedade e a superioridade natural deste caminho se faz apreciar.

Também outro bom detalhe que geralmente nós não saímos em público com roupa indiana. O que se chama na ISKCON de roupa devocional.

Porque hoje em dia o mundo não é tão, pelo menos aqui nos Estados Unidos à sociedade é bem mais conservadora e porque minha experiência que a gente fala, ah você não precisa mudar nada na sua vida só adicionar Krishna na sua vida. Porém tudo que fazemos às vezes fala outra coisa. Que estamos falando uma coisa e nossas ações falam uma coisa bem diferente.

Eu acho que as pessoas enxergam mais as ações e menos a doutrina, o papo oficial. É por isso que estamos... claro um devoto que se sente fraco, que fica confuso modificando sua vida assim então, melhor salvar-se a si mesmo e por exemplo como todo mundo pode ver tô...(Acaryadeva pega na curta perto da garganta, puxa pra frente e a solta de uma forma indiferente ou com menosprezo) é o habito como diz, roupa de monje. Como se chama em português?
GD: Hábito.
Srila Acharyadeva: Esse hábito não sei se ta fazendo o monje não mas (outra vez Acaryadeva pega na curta perto da garganta, puxa pra frente e a solta de uma forma indiferente ou com menosprezo).

Claro nós não estamos abandonando esses princípios porém, em nossa apresentação pública somos cidadãos, somos americanos normais e seguimos Prabhupada. Então eu acho que isso faz com que seja muito mais fácil pras pessoas se identificarem conosco. Porque se eles se identificam conosco eles acham que, ah eles são pessoas normais e eles cantam Hare Krishna e ele seguem Prabhupada, eles praticam bhakti-yoga e são pessoas normais. Naturalmente eles começam a pensar. Ah então talvez eu possa fazer isso também. Se pessoas normais... se pessoas normais cantam Hare Krishna, praticam bhati-yoga então eu também posso fazer isso.

Sem dúvida que temos que distribuir os livros de Prabhupada e estamos aqui também em... tem pessoas inteligentes que estão lendo os livros de Prabhupada aqui, porém, tem vários devotos que digamos fizeram estudos históricos ou estudo da história da ISKCON e o ponto que no início nós fazíamos parte de toda cultura alternativa, ou aqueles rencas, encrencas (ou coisa parecida) como se diz, não contra cultura mas, bom não vou entrar neste tópico agora...

Eu acho que basta dizer que nossa filosofia do Bhagavad-gita, os ensinamentos do Senhor Caitanya, Srimad-Bhagavatam. A nossa filosofia e a nossa prática não são estranhas, uma filosofia sublime, uma pratica impressionante. Então nesse país onde somos vistos muito, somos vistos como meio exóticos, um grupo sabe... um grupo um pouco fora de centro se não for fora de foco, assim costumam... anormais digamos, algo diferente...
GD: Alienados! Alienados?
Srila Acharyadeva: Sim. Simplesmente algo um pouco estranho.

Então a causa dessa percepção, eu sempre dizia e agora estamos comprovando, a causa dessa percepção de que o Hare Krishna seja um pouco estranho, pelo menos um pouco, a causa dessa percepção não é nossa filosofia nem nossa prática. Tem outra causa que é nosso estilo.

Porque se nós estudamos as religiões do mundo, se estudamos as religiões do Brasil, acho que nossa filosofia é entre as menos estranhas né? Sem entrar em detalhes. Acho que nós temos uma filosofia das menos estranhas.

E essa nossa prática de acordamos cedo, “Quem cedo madrugada Deus ajuda”. Acordar cedo é uma coisa impressionante, cantar os nomes de Deus jóia, ser vegetariano é de vanguarda né? Então nossa prática, deixar as drogas impressiona muita gente. Então nossos princípios, nossa prática de acordar cedo, de meditar, de praticar bhakti-yoga, nossa filosofia, a alma é eterna, a presença de Deus em todo ser vivo.

Nossa filosofia e prática não são estranhas e por isso não são a causa de uma percepção bastante generalizada de que nós somos estranhos, pelo menos algo de estranho né? Então a causa dessa percepção não é nossa filosofia nem nossa prática, é a forma que nos apresentamos ao público.
GD: O senhor tem participado internacionalmente de discussões importantes o senhor...
Srila Acharyadeva: Ele tá perguntando isso porque sabe que sim. Eu quero falar pra todo mundo que tá assistindo esse filme (quem quiser pode baixar em
http://www.acharyadeva.com/pt/downloads/dwnpt.php) que ele perguntou, fez essa pergunta porque já sabia a resposta. To abrindo o jogo...
GD: O senhor pode falar um pouco sobre isso
Srila Acharyadeva: Sim. Ah, eu tô participando em várias discussões sobre a direção do movimento agora acabo de publicar um texto sobre a filosofia vaisnava da moralidade (já tem em português quem quiser é só pedir
nayana_dasa@yahoo.com.br) que ta sendo traduzida para o português e sobre a forma mais cientifica, no sentido de uma ciência espiritual, uma forma mais cientifica de compreender os ensinamentos de Prabhupada, e assim tô participando muito desse tipo de conversa.
GD: E o senhor agora é GBC de Terenci, de Atlanta e de Saint Louis o Bispo?
Srila Acharyadeva: É.
GD: E seus planos então nos próximos meses agora são quais?
Srila Acharyadeva: Hoje Saint Louis o Bispo, amanhã o mundo (fala em tom de brincadeira). Ah, meus planos, tô sentindo que, ah, primeiro vou falar outra coisa, tenho permissão. Que estou escrevendo também agora em... hoje é segunda-feira, obviamente as pessoas que vão assistir o filme, nem todas vão assistir o filme na segunda-feira, agora mesmo que estamos filmando é segunda-feira, acreditem! É segunda-feira dia 21 de fevereiro o dia do aparecimento do Senhor Nityananda
GD: Jay!
Srila Acharyadeva: O dia do Senhor Nityananda, ano 2.000 ano do Senhor Krishna, ano 2005. então hoje é o dia 21, amanhã o dia 22 por acaso, é o último dia por um tempo que vou fazer meu e-mail e o dia 22 estou me... desconectando, porque eu tenho a grande fortuna de poder me associar com muitos vaisnavas em toda parte do mundo através do e-mail mas, eu também gostaria de ter grande fortuna de completar meu livro e os dois trabalhos agora são um pouco incompatíveis pelo menos agora então eu terei que... num sentido recriar as condições que me permitiam no passado completar livros ao mesmo tempo que eu tinha responsabilidades administrativas na ISKCON. Quando eu trabalhava no Bhagavatam a tradução e comentário do Bhagavatam eu passava muito tempo no Brasil e não existia internet e nem tínhamos telefones muitas vezes. Então era possível realmente se retirar um pouco se concentrar num serviço de escrever mas hoje em dia com e-mail, internet é... um lugar sossegado é muito difícil como eu escrevi numa carta que mandei para os devotos que fui a um lugar bem sossegado mas, com internet nenhum lugar é sossegado. Todo lugar é mais ou menos igualmente não sossegado. E por isso para poder recriar as condições de tranqüilidade e tempo e espaço que me permitiam antes completar livros eu acho que pelo menos um tempinho tenho que me desconectar. E com uma certa tristeza porque realmente, como disse, eu gosto muito desse contato com vaisnavas, coisa que eu vejo muito positiva. Hoje em dia todo mundo diz. Ah, comunicação através da internet é muito limitada, é verdade mas num sei eu consigo dizer mais ou menos o que quero dizer. Eu consigo também sentir a felicidade dos devotos. As vezes tem que botar, ah como fazem aqueles rostos sorridentes (gesticula bastante imitando aquelas carinhas que as pessoas põem para mostras as emoções nos e-mails) orelhas muito grandes, quer dizer, as vezes tem que achar a maneira de se fazer compreender.

Então, mas agora como eu sempre digo aqui, eu acho importante que não sejamos dentro de um contexto histórico, acho importante que sempre lembremos que, existiram dentro da história e temos que reconhecer as necessidades históricas, as oportunidades históricas específicas que existem agora. Inclusive eu acho que quando estudamos a história vemos que as pessoas que são importantes são exatamente aquelas pessoas que podiam reconhecer e aproveitar as oportunidades históricas e ao invés de simplesmente estudar a história fazer a história.

Agora eu quero completar esse livro que estou trabalhando agora e logo depois de completar esse livro eu quero voltar ao Mahabharata e quero apresentar de uma forma que, uma forma realmente atraente, uma forma prática para o público moderno. Porque existem centenas de Mahabharatas no mercado e o Mahabharata até agora não conseguiu penetrar um público geral, sempre fica limitado dentro daquela caixa que seja hinduismo ou alternativo ou pessoas interessadas na cultura da Índia ou eruditos ou pessoas que estudam literatura do mundo, os clássicos do mundo. Então tem um certo mercado porém, o Mahabharata até agora não chegou a ser, não atingiu digamos um status cultural ou de geral importância. Continua sendo algo do mundo hindu, continua sendo algo esotérico, importante para um grupo pequeno de pessoas.

Estamos falando disso hoje porque... eu acho que compreendo o que seja necessário para que o Mahabharata seja, para que tenha um impacto que Srila Vyasa queria. Então eu vou, se eu viver... (nesse ponto a gravação do vídeo apresenta uns defeitos e não dá pra saber tudo que S. Acaryadeva diz) tornar popular isso. Vou terminar isso... por isso que é importante para mim realmente fazer tudo que eu posso fazer nesse mundo como ser humano para tirar ou editar ou superar obstáculos que impeçam o trabalho de escrever
GD: O senhor recebe mensagens do Brasil e nessas mensagens o que o senhor está achando da ISKCON no Brasil hoje qual seus comentários?
Srila Acharyadeva: Tô gostando muito eu acho obvio que o nível de maturidade entre os devotos é melhor do que nunca. Podemos observar em muitas partes Salvador, Recife, São Paulo e Nova Gokula, Rio de Janeiro, muitas partes e em outros templos também. Ah conselhos de brahmanas sérios, devotos maduros, devotos que estão trabalhando juntos com sinceridade. Eu tô muito feliz que Nova Gokula tá melhorando o jeito que ta. Os marajás eu também sou marajá, os sannyasis do Brasil acho que estão fazendo um trabalho muito impressionante, excelente, excelentíssimo. Danvantari swami em Campina Grande, seu seminário tá crescendo e ele também viaja. Eu acho que ele tá fazendo um serviço muito importante. Também Purushatraya swami em Parati que é ecologista, o vaisnava mais importante da América do Sul e ele com muita dedicação está fazendo seu serviço. Candramuka swami Vrajabhumi, Rasananda swami São Paulo os dois irmãos e os dois estão fazendo serviço então... e obviamente não só os marajás os sannyasis mas, tem muitos devotos. Eu to muito feliz que Nova Gokula vários devotos antigos pegaram diferentes programas de restaurantes, de clinicas, de seminário, de várias coisas.

Então, eu claro que em toda parte do mundo sempre há problemas mas em geral eu acho que o movimento no Brasil está muito forte do ponto de vista sociológico e também espiritual, tá muito forte. Tem muitos bons devotos lá.
GD: E pra encerrar como o senhor falou hoje é o dia de aparecimento do Senhor Nityananda o que o senhor poderia compartilhar. Algumas realizações...
Srila Acharyadeva: Ah, o Senhor Nityananda, ta lá (indicando Nityananda na parede). O Senhor Nityananda é nossa vida, todos nós somos servos eternos dos servos do Senhor Nityananda. Dependemos dEle e Ele é adi sankirtaneiro. Que Caitanya Mahaprabhu mandava Ele e Haridasa Thakura na rua né. Nem podemos imaginar quantos pontos Nityananda conseguiu em sankirtana, na carta de sankirtana. Nityananda, Rama, também Balarãma o mestre espiritual original porque Ele é Krishna mesmo e só existe um Deus graças a Deus. Seria bem chato ser politeísta né.

Então Nityananda é Deus o Senhor Supremo é Krishna. Na primeira expansão de Balarãma... é Nityananda. Ele é nosso líder, é a alma de existirmos para Ele e por causa dEle.
GD: E agora as últimas palavras que o senhor quer passar
Srila Acharyadeva: Hare Krishna. Ah eu gostaria muito de visitar o Brasil. Quando eu era jovem eu viajava demais, eu era mais ou menos, eu tava completamente desligado de coisas triviais como saúde física. To falando como, to sendo um pouco sarcástico e que devido a minha imprudência na juventude que é muito comum ser imprudente na juventude. Porque eu trabalhava muito pregando, viajando que eu acho que perdi um pouco a resistência normal que uma pessoa tem para viajar. Minha saúde ta bem, ta boa mas, se não viajo, se não vou ao Brasil é unicamente por tentar ser prudente. Além disso eu gostaria demais, eu acho que tenho mais ... no Brasil do que qualquer outro lugar. Eu gostaria demais de voltar ao Brasil só pra ter associação com os devotos de lá e quem sabe? Vamos deixar nas mãos de Krishna e do Senhor Nityananda.
GD: Acaryadeva muito obrigado.
Srila Acharyadeva: Não tem de quê. Harê Krishna.